Dia Mundial de Prevenção do Suicídio

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Por que a prevenção precisa começar antes da crise?

10 de setembro marca o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, uma data que chama a atenção para um importante problema de saúde pública e para a necessidade de fortalecer ações de prevenção, cuidado e acesso à ajuda.

Falar sobre suicídio exige responsabilidade. Mais do que abordar situações de crise, é necessário compreender os diferentes fatores que podem aumentar ou reduzir o risco e reconhecer que a prevenção não acontece apenas quando uma pessoa já está em sofrimento intenso. Ela também envolve a construção de vínculos, o fortalecimento de redes de apoio, o acesso aos serviços de saúde e a redução de fatores de risco ao longo da vida.

 

Compreender para prevenir

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que 727 mil pessoas tenham morrido por suicídio em 2021. Essas mortes representaram aproximadamente 1,1% de todos os óbitos registrados no mundo naquele ano. Mais da metade dessas mortes, cerca de 56%, ocorreu antes dos 50 anos, reforçando a importância de estratégias de prevenção ao longo das diferentes fases da vida. (OMS)

O suicídio não possui uma única causa. Diferentes fatores individuais, relacionais, sociais e ambientais podem interagir e contribuir para o aumento da vulnerabilidade em determinados momentos da vida.

Entre os fatores associados ao risco estão transtornos mentais, experiências de violência, perdas, isolamento social, dificuldades financeiras, conflitos relacionais e histórico de tentativa de suicídio. A OMS também reconhece uma associação entre o comportamento suicida e transtornos relacionados ao uso de álcool, além de outros problemas de saúde mental. (OMS)

Essa relação, entretanto, é complexa e não significa que o uso de álcool ou outras drogas, isoladamente, determine o comportamento suicida. Por isso, a prevenção exige uma avaliação ampla dos diferentes fatores presentes na vida de cada pessoa.

As mortes representam apenas uma parte desse problema. Segundo estimativas da OMS, para cada pessoa que morre por suicídio, mais de 20 realizam uma tentativa. Essa proporção pode variar de acordo com diferentes características da população e do contexto, mas evidencia a importância da identificação precoce do sofrimento e da ampliação do acesso ao cuidado. (OMS)

No Brasil, o cenário também exige atenção. Dados do Ministério da Saúde apontam que o país registrou mais de 15,5 mil mortes por suicídio em 2021, o equivalente a aproximadamente uma morte a cada 34 minutos. O suicídio também esteve entre as principais causas de morte da população jovem naquele período. (Ministério da Saúde)

Por isso, falar em prevenção exige olhar para a pessoa de forma integral, considerando não apenas a presença de um transtorno mental, mas também suas relações, seu contexto de vida e as condições que podem favorecer ou agravar situações de sofrimento.

 

A relação entre álcool, outras drogas e risco de suicídio

No campo das dependências químicas, essa discussão ganha especial importância.

O uso problemático de álcool e outras drogas pode estar associado a diferentes fatores que aumentam a vulnerabilidade, como alterações do humor, impulsividade, conflitos familiares e sociais, prejuízos financeiros e profissionais e agravamento de problemas de saúde mental.

A relação, entretanto, não deve ser interpretada de maneira simplista. O uso de uma substância não determina que uma pessoa desenvolverá comportamento suicida. Da mesma forma, o sofrimento psíquico não deve ser automaticamente explicado pelo uso de álcool ou outras drogas.

A prevenção exige compreender a interação entre diferentes fatores de risco e proteção e oferecer cuidado adequado para cada situação.

 

Nem todo fator de risco significa que o suicídio irá acontecer

Um ponto importante para a prevenção é compreender que fatores de risco não são previsões individuais.

Uma pessoa pode vivenciar depressão, isolamento social, dificuldades financeiras ou problemas relacionados ao uso de substâncias e nunca apresentar comportamento suicida. Por outro lado, uma crise pode surgir mesmo quando os sinais de sofrimento não são evidentes para as pessoas ao redor.

Por isso, a avaliação do risco deve ser cuidadosa e realizada por profissionais capacitados quando houver preocupação com a segurança de alguém.

Ao mesmo tempo, existem fatores que podem atuar como proteção. Entre eles estão relações de apoio, sentimento de pertencimento, habilidades para lidar com problemas, acesso a cuidados de saúde e vínculos positivos com familiares, amigos, escola e comunidade. (CDC)

 

Prevenção não começa apenas na emergência

Uma das contribuições mais importantes da abordagem de saúde pública é justamente ampliar o olhar sobre a prevenção.

De acordo com o CDC, estratégias eficazes incluem melhorar o acesso e a qualidade dos cuidados em saúde, fortalecer conexões sociais, desenvolver habilidades de enfrentamento e resolução de problemas, identificar e apoiar pessoas em situação de risco e criar ambientes mais seguros. (CDC)

Isso significa que prevenir também é:

  • fortalecer vínculos familiares e comunitários;
  • reduzir o isolamento social;
  • ampliar o acesso aos serviços de saúde mental;
  • identificar precocemente situações de sofrimento;
  • oferecer tratamento adequado para transtornos mentais e transtornos relacionados ao uso de substâncias;
  • desenvolver habilidades de enfrentamento e resolução de problemas;
  • criar ambientes escolares, familiares e profissionais mais acolhedores;
  • reduzir o acesso a meios letais para pessoas em situação de risco;
  • garantir acompanhamento e cuidado após uma tentativa de suicídio.

São ações que envolvem diferentes setores da sociedade e não podem ser responsabilidade exclusiva de uma única área profissional.

 

Escutar pode ser parte da prevenção

A prevenção também passa pela capacidade de perceber mudanças de comportamento e oferecer apoio.

Isolamento, desesperança, sofrimento intenso, mudanças importantes no comportamento e aumento do uso de álcool ou outras drogas podem ser sinais de que uma pessoa está enfrentando dificuldades e precisa de atenção. Esses sinais, isoladamente, não permitem prever um comportamento suicida, mas podem indicar a necessidade de uma conversa cuidadosa e, quando necessário, de encaminhamento para ajuda profissional. (CDC)

Nessas situações, ouvir sem julgamentos, demonstrar disponibilidade e incentivar a busca por ajuda podem ser atitudes importantes.

Não é necessário ter todas as respostas. Muitas vezes, o papel de quem está próximo é não ignorar o sofrimento e ajudar a pessoa a chegar até uma rede de cuidado.

 

Informação também precisa ser responsável

Falar sobre suicídio publicamente exige cuidado.

A forma como o tema é apresentado pela imprensa, pelas redes sociais e por campanhas pode influenciar a maneira como a população compreende o problema. Recomendações atuais de prevenção orientam evitar conteúdos sensacionalistas, imagens dramáticas e descrições de métodos, priorizando informações factuais, mensagens de esperança, possibilidades de cuidado e recursos de ajuda.

Por isso, campanhas de prevenção não devem apenas chamar atenção para o problema. Elas precisam oferecer informação de qualidade e caminhos concretos para buscar apoio.

 

Prevenir é construir uma rede de cuidado

O Dia Mundial de Prevenção do Suicídio é uma oportunidade para lembrar que a prevenção não se resume a uma campanha ou a uma única data no calendário.

Ela acontece quando a sociedade consegue reconhecer o sofrimento, diminuir o estigma, fortalecer vínculos, ampliar o acesso ao cuidado e criar condições para que as pessoas procurem ajuda antes que uma situação de crise se agrave.

Para a Freemind, falar sobre prevenção também significa reconhecer a importância de uma abordagem baseada em evidências, que considere a saúde mental, as dependências químicas, os vícios comportamentais, os vínculos sociais e o contexto em que cada pessoa está inserida.

Prevenir o suicídio é uma responsabilidade coletiva. E a prevenção começa muito antes da crise: começa com informação, cuidado, escuta e acesso à ajuda.

Se você ou alguém próximo estiver em situação de sofrimento intenso ou risco imediato, procure um serviço de saúde ou um profissional capacitado. Em uma situação de emergência, procure imediatamente um serviço de urgência ou emergência da sua região.

No Brasil, o CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, oferecendo apoio emocional e prevenção do suicídio.

 

Referências

  • Organização Mundial da Saúde (OMS). Suicide worldwide in 2021: global health estimates.
  • Organização Mundial da Saúde (OMS). Suicide – Fact sheet.
  • Organização Mundial da Saúde (OMS). Suicide data.
  • Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico – Suicídio.
  • Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Suicide Risk Factors and Prevention.

 

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