Monitoramento dos pais pode prevenir o uso de álcool e drogas na adolescência, aponta estudo
A adolescência é uma fase marcada por descobertas, desafios e maior exposição a situações de risco. Entre elas, o contato com álcool, cigarro e outras drogas costuma preocupar muitas famílias. Nesse contexto, uma pesquisa recente trouxe uma nova visão sobre como a presença e a supervisão dos pais podem influenciar diretamente as escolhas dos filhos.
Um estudo publicado em 2024 no Journal of Studies on Alcohol and Drugs investigou de que forma o monitoramento parental contribui para reduzir o uso de substâncias psicoativas entre adolescentes — e, principalmente, qual é o mecanismo por trás desse efeito.
A pesquisa ouviu 4.503 adolescentes com idades entre 11 e 15 anos, nos Estados Unidos. Os participantes responderam a perguntas sobre o nível de supervisão exercido pelos pais, experiências com uso de substâncias e situações em que optaram por não consumir algo por receio da reação familiar.
Supervisão funciona mais como prevenção do que punição
Os pesquisadores analisaram duas possíveis explicações para o impacto do monitoramento parental.
A primeira hipótese seguia a linha mais tradicional: pais mais atentos perceberiam com mais facilidade quando os filhos estivessem usando álcool ou drogas e, ao aplicar punições ou consequências, reduziriam esse comportamento.
No entanto, os resultados não confirmaram essa teoria. O estudo mostrou que o monitoramento não aumentou significativamente a chance de os pais descobrirem o uso das substâncias. Ou seja, o efeito protetor não parece estar relacionado à punição.
Já a segunda hipótese apresentou resultados mais consistentes. Segundo os dados, muitos adolescentes relataram ter evitado o uso de substâncias em situações reais justamente por medo de serem descobertos ou interrompidos pelos pais.
Isso sugere que a simples percepção de estar sendo observado pode funcionar como um “freio psicológico”, impedindo o comportamento antes mesmo que ele aconteça.
O efeito pode mudar com a idade
Outro dado importante revelado pela pesquisa foi a influência da idade. Adolescentes mais velhos relataram com maior frequência que deixaram de usar substâncias devido ao monitoramento parental.
Esse resultado indica que o impacto da supervisão pode variar ao longo do desenvolvimento, especialmente à medida que os jovens ganham mais autonomia e passam a enfrentar mais oportunidades de exposição.
O que isso significa na prática?
As conclusões do estudo reforçam a importância de uma presença ativa dos pais na rotina dos filhos. Mais do que aplicar regras rígidas ou punições severas, demonstrar interesse, acompanhar atividades, saber com quem os adolescentes estão e manter diálogo constante pode ser uma estratégia mais eficaz de prevenção.
A percepção de supervisão parece ter um papel importante na tomada de decisão dos jovens, especialmente em momentos de vulnerabilidade ou pressão social.
Limitações do estudo
Apesar dos resultados relevantes, os próprios autores destacam algumas limitações.
A pesquisa foi observacional, o que significa que não é possível estabelecer uma relação de causa e efeito com total certeza. Além disso, os dados foram baseados apenas nos relatos dos adolescentes, o que pode gerar distorções.
Outro fator é que a amostra apresentou baixo índice de consumo de substâncias e os dados foram coletados durante o período da pandemia de COVID-19, quando o convívio social e o monitoramento familiar passaram por mudanças significativas.
Um novo olhar para a prevenção
Mesmo com essas limitações, o estudo oferece uma contribuição importante para estratégias de prevenção ao uso de álcool e outras drogas na adolescência.
Em vez de focar apenas em punição, fortalecer a percepção de acompanhamento e presença dos pais pode ser uma abordagem mais eficiente para evitar o primeiro contato ou reduzir oportunidades de uso.
A prevenção começa no vínculo, no diálogo e na presença.
Referência:
PELHAM, W. E. et al. How Does Parental Monitoring Reduce Adolescent Substance Use? Preliminary Tests of Two Potential Mechanisms. Journal of Studies on Alcohol and Drugs, v. 85, n. 3, p. 389–394, 2024.
Matéria baseada nas informações da Previna:
https://previna.info/como-o-monitoramento-parental-reduz-o-uso-de-substancias-em-adolescentes/
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