Dia Nacional da Saúde de Adolescentes e Jovens: a importância da prevenção
22 de setembro marca o Dia Nacional da Saúde de Adolescentes e Jovens, uma data que amplia o olhar sobre os cuidados necessários durante uma das fases mais importantes do desenvolvimento humano.
A adolescência e a juventude são períodos marcados por transformações físicas, emocionais e sociais. É também uma fase em que comportamentos, relações e hábitos podem influenciar a saúde e o bem-estar ao longo da vida.
Por isso, falar sobre a saúde de adolescentes e jovens significa falar também sobre prevenção, saúde mental, relações familiares e sociais, educação, uso de álcool e outras drogas, comportamentos de risco e acesso ao cuidado.
Mais do que agir diante de problemas já instalados, a prevenção busca criar condições para que adolescentes e jovens desenvolvam recursos para lidar com desafios, estabeleçam vínculos saudáveis e tenham acesso à informação e aos serviços de que precisam.
Adolescência: uma fase fundamental para o desenvolvimento
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a adolescência o período entre os 10 e 19 anos. Já o Ministério da Saúde trabalha com a faixa de 10 a 24 anos para se referir ao conjunto de adolescentes e jovens. O dia 22 de setembro representa uma oportunidade para ampliar o diálogo sobre as necessidades específicas dessa população.
Durante essa fase, ocorrem importantes mudanças físicas, emocionais e sociais. Ao mesmo tempo em que adolescentes começam a desenvolver maior autonomia, também estão construindo habilidades relacionadas à tomada de decisões, relacionamento interpessoal, regulação das emoções e enfrentamento de situações difíceis.
Por isso, ambientes familiares, escolares e comunitários seguros e acolhedores podem exercer um papel importante na promoção da saúde.
A OMS destaca que a adolescência é um período fundamental para o desenvolvimento de hábitos sociais e emocionais importantes para o bem-estar, como estabelecer relações saudáveis, desenvolver habilidades de enfrentamento e resolução de problemas e aprender a lidar com as próprias emoções.
Saúde mental também é prevenção
A saúde mental merece atenção especial durante a adolescência.
Segundo estimativas da OMS, 1 em cada 7 adolescentes entre 10 e 19 anos — aproximadamente 14,3% — apresenta algum transtorno mental. Entre os problemas mais frequentes estão ansiedade, depressão e transtornos comportamentais.
Esses números ajudam a dimensionar a importância da identificação precoce e do acesso ao cuidado.
Ao mesmo tempo, é importante evitar a ideia de que toda dificuldade emocional vivenciada por um adolescente representa necessariamente um transtorno mental. Mudanças de humor, conflitos e momentos de insegurança podem fazer parte do desenvolvimento.
A atenção deve estar voltada para situações em que o sofrimento é intenso, persistente ou começa a interferir de maneira significativa na vida cotidiana, nos relacionamentos, nos estudos ou em outras atividades.
A OMS e o UNICEF destacam que um terço dos transtornos mentais surge antes dos 14 anos e metade antes dos 18 anos, reforçando a importância de ações de prevenção, identificação e cuidado desde os primeiros anos.
Prevenir o uso de álcool e outras drogas
A adolescência também é uma fase importante para a prevenção do uso de álcool, tabaco e outras drogas.
A exposição precoce a substâncias pode estar associada a diferentes consequências para a saúde, para o desenvolvimento e para as relações sociais. Por isso, estratégias preventivas precisam considerar não apenas a informação sobre os riscos, mas também os fatores que influenciam as escolhas e os comportamentos dos adolescentes.
Família, escola, comunidade e serviços de saúde podem contribuir para a construção de fatores de proteção, oferecendo informação adequada, fortalecendo vínculos e criando espaços em que adolescentes possam falar sobre dúvidas, dificuldades e pressões sociais.
No Brasil, um estudo publicado em 2024 analisou 29.991 internações de adolescentes por transtornos mentais e comportamentais relacionados ao uso de álcool e outras substâncias psicoativas entre 2017 e 2022. Do total, 86,6% das internações envolveram adolescentes de 15 a 19 anos e 72,1% ocorreram entre meninos.
O estudo também identificou uma redução na taxa geral de internações, de 16,18 para 13,72 por 100 mil habitantes entre 2017 e 2022. Essa redução, entretanto, não elimina a necessidade de prevenção e deve ser interpretada considerando fatores como acesso aos serviços e mudanças ocorridas durante a pandemia de COVID-19.
Os dados mostram a importância de compreender o uso de substâncias entre adolescentes dentro de um contexto mais amplo, considerando fatores individuais, familiares, sociais e ambientais.
A importância dos fatores de proteção
Prevenir não significa apenas identificar riscos. Significa também fortalecer aquilo que protege.
Relações familiares positivas, vínculos com a escola e com a comunidade, participação em atividades sociais, desenvolvimento de habilidades socioemocionais e acesso a serviços de saúde podem contribuir para o bem-estar e para a capacidade de enfrentar situações adversas.
A OMS destaca que ambientes de apoio na família, na escola e na comunidade são importantes para a saúde mental dos adolescentes. Também ressalta a importância do desenvolvimento de habilidades relacionadas ao enfrentamento, à resolução de problemas e ao relacionamento interpessoal.
Nesse sentido, prevenção não deve ser entendida apenas como uma ação destinada a impedir determinado comportamento. Ela também envolve promover condições que favoreçam escolhas mais saudáveis e um desenvolvimento mais seguro.
E as telas, os jogos e as apostas?
O ambiente digital faz parte da vida cotidiana de adolescentes e jovens. Por isso, discutir saúde nessa faixa etária também exige compreender os efeitos que diferentes experiências digitais podem ter sobre o bem-estar.
Tecnologia, jogos eletrônicos, redes sociais e outras ferramentas digitais podem oferecer benefícios, como comunicação, aprendizagem, entretenimento e acesso à informação. O problema surge quando determinados padrões de uso passam a interferir de maneira significativa no sono, nos estudos, nas relações, na saúde ou na capacidade de controlar o comportamento.
A discussão sobre uso problemático de tecnologia, jogos eletrônicos e apostas precisa, portanto, evitar generalizações. O objetivo da prevenção não é tratar toda utilização de tecnologia como prejudicial, mas reconhecer situações em que o comportamento pode estar associado a prejuízos e sofrimento.
A própria OMS destaca que fatores relacionados ao ambiente social e à exposição às mídias, incluindo as redes sociais, podem influenciar a saúde mental dos jovens.
Informação adequada também é uma ferramenta de prevenção
Adolescentes e jovens precisam ter acesso a informações confiáveis e adequadas à sua realidade.
Falar sobre álcool, outras drogas, saúde mental, comportamento digital, relacionamentos e outros temas de saúde não significa incentivar comportamentos de risco. Pelo contrário: a informação qualificada pode contribuir para a tomada de decisões mais conscientes e para a procura de ajuda quando necessário.
A comunicação, entretanto, precisa ser responsável. Mensagens baseadas exclusivamente no medo ou na punição podem ser pouco efetivas e dificultar o diálogo.
A prevenção tende a ser mais consistente quando considera a realidade dos adolescentes, promove participação, fortalece vínculos e oferece alternativas concretas de cuidado.
Prevenção começa antes do problema
Cuidar da saúde de adolescentes e jovens não significa esperar que um problema apareça para então agir.
A prevenção começa quando família, escola, serviços de saúde, comunidade e poder público reconhecem as necessidades dessa população e trabalham para criar ambientes que favoreçam o desenvolvimento saudável.
Isso inclui:
- promover saúde mental e bem-estar;
- fortalecer vínculos familiares e comunitários;
- ampliar o acesso a serviços de saúde;
- prevenir o uso de álcool, tabaco e outras drogas;
- desenvolver habilidades socioemocionais;
- orientar sobre comportamentos digitais e uso responsável da tecnologia;
- identificar precocemente situações de sofrimento;
- combater o estigma relacionado à busca por ajuda;
- oferecer cuidado adequado diante de problemas já identificados.
São ações que não dependem de um único profissional ou setor. A promoção da saúde de adolescentes e jovens exige uma rede de cuidado articulada e preparada para reconhecer diferentes necessidades.
Cuidar hoje para proteger o futuro
O Dia Nacional da Saúde de Adolescentes e Jovens é uma oportunidade para reforçar que investir nessa população significa também investir no futuro.
A adolescência não deve ser vista apenas como uma fase de riscos, mas como um período de possibilidades, desenvolvimento e construção de recursos que podem acompanhar a pessoa ao longo da vida.
Para a Freemind, falar sobre prevenção significa reconhecer que informação, conhecimento científico, vínculos e acesso ao cuidado são elementos fundamentais para promover saúde e reduzir situações de vulnerabilidade.
Prevenir começa cedo. E cuidar de adolescentes e jovens é criar condições para que possam crescer, desenvolver-se e construir suas trajetórias com mais saúde, informação e proteção.
Referências
- Organização Mundial da Saúde (OMS). Mental health of adolescents. 2025.
- Organização Mundial da Saúde (OMS) e UNICEF. Mental Health of Children and Young People: Service Guidance. 2024.
- Ministério da Saúde – Biblioteca Virtual em Saúde. Dia Nacional da Saúde de Adolescentes e Jovens.
- Galvão, M. T. L. et al. Hospitalizations for mental and behavioral disorders due to alcohol and other psychoactive substance use among adolescents in Brazil, 2017–2022. Epidemiologia e Serviços de Saúde, 2024.
