DEFs: a nova epidemia

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Eles são coloridos, discretos, aromatizados e com nomes chamativos. Estão nos bolsos dos adolescentes, nas mochilas escolares, nas baladas, nos vídeos de influenciadores. Os Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs), conhecidos como cigarros eletrônicos ou vapes, são ilegais no Brasil desde 2009 — mas a realidade está bem longe da legislação.

Apesar da proibição da venda, importação e propaganda pela Anvisa, os DEFs circulam livremente, especialmente entre os jovens. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), 16,8% dos estudantes do 9º ano já experimentaram cigarro eletrônico. E entre os adolescentes que usam redes sociais, vídeos com vapes aparecem como tendência, reforçados por estratégias de marketing que associam o produto a status, modernidade e rebeldia.

🚨 Marketing disfarçado de tendência

As empresas fabricantes de DEFs utilizam embalagens atraentes, sabores variados e influenciadores digitais para alcançar diretamente o público jovem. Estudos da Stanford University (Tobacco Prevention Toolkit) apontam que adolescentes são mais sensíveis a sabores doces e frutados — o que faz com que o apelo desses produtos seja ainda mais forte para essa faixa etária.

Além disso, o marketing acontece em camadas sutis: desafios em redes sociais, vídeos de “estética vapor”, eventos patrocinados e memes reforçam o uso como parte de uma identidade jovem e conectada. Com uma regulação frágil e fiscalização insuficiente, o Brasil vê crescer uma geração de adolescentes dependentes de nicotina sem sequer perceberem os riscos envolvidos.

🧬 Os danos reais à saúde

A ideia de que o cigarro eletrônico é “menos pior” que o cigarro tradicional é um dos maiores mitos em circulação. Um estudo da Harvard Medical School (2020) apontou que os vapes contêm substâncias químicas tóxicas, como formaldeído, acroleína e metais pesados, além da nicotina em altas doses.

A Associação Brasileira de Pneumologia e Tisiologia alerta que os DEFs podem causar lesões pulmonares graves, conhecidas como EVALI (do inglês, “lesão pulmonar associada ao uso de cigarro eletrônico”), além de alterações no desenvolvimento cerebral de adolescentes. A dependência também se instala mais rapidamente entre os jovens, com efeitos duradouros sobre atenção, memória e controle emocional.

🎓 E o que podemos fazer?

Para enfrentar essa epidemia silenciosa, é preciso unir educação, saúde e políticas públicas. Algumas iniciativas essenciais incluem:

  • Educação nas escolas sobre os riscos reais dos DEFs, com materiais atualizados e acessíveis.
  • Formação de profissionais da saúde e da educação para identificar e intervir precocemente em casos de uso.
  • Campanhas de conscientização nas redes sociais voltadas a pais e jovens.
  • Fortalecimento da fiscalização e penalização do comércio ilegal desses produtos.
  • Políticas públicas baseadas em evidências que dialoguem com a realidade digital da nova geração.

📣 E agora? Como reagir?

Diante do avanço alarmante do uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes, muitos pais e profissionais se perguntam: “O que posso fazer?”

Essa é exatamente a provocação do painel temático do 10º Congresso Internacional Freemind, intitulado:

“Meu filho acredita que o cigarro eletrônico faz menos mal que o tradicional… E agora?”

Entre os dias 16 e 19 de novembro de 2025, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília/DF, especialistas nacionais e internacionais vão debater, com base em evidências científicas, os efeitos dos DEFs à saúde, os desafios da regulação, o papel da mídia e das redes sociais, e as estratégias de prevenção e enfrentamento para famílias, escolas e políticas públicas.

Será um espaço de escuta, troca e construção de soluções — com linguagem acessível, base científica sólida e compromisso com o futuro de nossos jovens.

🔗 Garanta sua participação no evento e fique por dentro dos principais debates: www.congressofreemind.com.br