Cigarros eletrônicos por jovens
O tabagismo no Brasil apresentou uma queda histórica nas últimas décadas: entre 1989 e 2023, a prevalência do consumo de cigarros e outros derivados de tabaco foi de 35% para 9,3%. No entanto, há uma crescente preocupação com o crescimento do uso dos dispositivos eletrônicos (cigarros eletrônicos) para fumar, os famosos “vapes”, que hoje já fazem parte do universo de um em cada nove adolescentes brasileiros.
Riscos à saúde e dependência precoce
O sinal de alerta não se dá apenas por causa da dependência da nicotina, mas pelo risco aumentado de lesões e doenças, inclusive cardíacas, e pelos prejuízos comportamentais que eles trazem. “O risco de jovens iniciarem no uso desses dispositivos é nove vezes maior que o dos adultos”, alerta a Dra. Sandra Marques, mediadora do painel “Cigarros Eletrônicos” no 10º Congresso Internacional Freemind 2025.
Estratégias da indústria e impacto no cérebro jovem
Já o Dr. Paulo Correia, Coordenador da Comissão de Tabagismo da SBPT 2021-2024, apontou para o histórico dos cigarros eletrônicos: o produto foi desenvolvido especificamente para os jovens, como meio de repor o público consumidor, então em queda, da indústria tabagista, sob uma promessa de consumo saudável e publicidade utilizando artistas e influenciadores jovens. Sabrina Presman, membro do Conselho Consultivo da ABEAD, vai além e afirma que o público jovem é o mercado prioritário desses dispositivos porque o cérebro ainda imaturo busca mais ativamente a recompensa rápida, tem um menor controle inibitório, e um pico dopaminérgico maior, resultando em uma combinação explosiva de impulsividade, alívio e reforço social.
“A progressão da dependência é muito mais rápida do que a gente observa com o cigarro convencional”, pontua Presman. “O tratamento eficaz combina a ciência, o vínculo, porque não adianta eu ser extremamente técnica e não me conectar com aquele paciente ou com aquela família, e também trabalhar a família e os ambientes de uma forma geral”.
O painel também contou com um panorama das políticas públicas, apresentado por Wesley Bonfim, Chefe do Museu de Drogas da Polícia Civil do Distrito Federal, e a experiência da Colômbia, trazida por Juliana Mejía, em que pesquisas com estudantes apontam que 90% deles estão familiarizados com esses dispositivos.
