Cannabis medicinal: riscos, evidências e o alerta de Ronaldo Laranjeira
Ciência, prevenção e responsabilidade não podem caminhar separadas — especialmente quando o tema envolve saúde pública.
Ao longo de mais de uma década, o Freemind tem construído pontes entre conhecimento científico, políticas públicas e cuidado humano. Um dos grandes nomes que acompanham essa trajetória desde as primeiras edições do Congresso Internacional Freemind é o psiquiatra Dr. Ronaldo Laranjeira, referência nacional em dependência química, professor da Unifesp e uma voz firme na defesa de decisões baseadas em evidências.
Em recente artigo publicado na Folha de S.Paulo, o especialista faz um alerta contundente: o avanço da chamada cannabis medicinal no Brasil pode estar sendo guiado mais por narrativas do que por ciência, questionando tanto a fragilidade das evidências clínicas quanto os impactos sociais de sua ampliação no Brasil.
Pouca evidência, muitos riscos
Segundo o Dr. Laranjeira, o entusiasmo em torno da cannabis para fins terapêuticos não encontra respaldo sólido na literatura científica.
Revisões amplas de estudos internacionais (*) indicam que, para condições frequentemente divulgadas — como ansiedade, insônia, dor aguda e depressão — os benefícios são mínimos ou inexistentes.
📌 As exceções existem, mas são específicas:
- Medicamentos padronizados
- Formulações controladas
- Uso clínico restrito
👉 O uso amplo da planta ou de produtos artesanais não segue esse padrão.
Mais preocupante: diretrizes médicas baseadas em evidências não recomendam cannabis inalada nem produtos com alto teor de THC para fins terapêuticos.
Impactos reais de cannabis na saúde mental e física
Os riscos do uso de cannabis são amplamente documentados.
Entre os principais efeitos:
- Aumento de sintomas psicóticos
- Maior incidência de ansiedade e depressão
- Prejuízos cognitivos
- Risco cardiovascular (infarto e AVC)
Dependência também é uma realidade
Um ponto crítico destacado no artigo:
👉 O uso “medicinal” não reduz o risco de dependência.
Pelo contrário:
- Está associado a maior frequência de consumo
- Pode aumentar a vulnerabilidade ao transtorno por uso de cannabis
Regulação não elimina desvios nem criminalidade
Dr. Ronaldo também chama atenção para os limites da regulamentação. Embora a Anvisa preveja controle de teor de THC e fiscalização do cultivo, experiências internacionais mostram que esses limites são frequentemente ultrapassados ao longo da cadeia produtiva — seja por falhas técnicas, seja por desvios deliberados para o mercado ilegal.
Além disso, a produção nacional tende a facilitar o abastecimento paralelo e fortalecer redes ilícitas, que se adaptam rapidamente às brechas regulatórias.
👉 Ou seja:
A criminalidade não desaparece — ela se reorganiza.
A regulamentação é frequentemente vista como solução — mas a realidade é mais complexa.
O efeito simbólico das políticas públicas
Um dos pontos mais sensíveis do debate é o impacto cultural.
Quando o Estado legitima a cannabis como “medicinal” sem base científica robusta:
- A percepção de risco diminui, especialmente entre jovens
- O consumo tende a aumentar, pressionando sistemas de saúde, segurança pública e assistência social
- Jovens se tornam mais vulneráveis
Prevenir exige ciência — não narrativa
A mensagem central do Dr. Ronaldo Laranjeira é clara:
Prudência em saúde pública não é conservadorismo.
É responsabilidade.
Decisões que impactam milhões de pessoas precisam ser baseadas em:
✔ Evidência científica
✔ Avaliação de risco
✔ Compromisso real com a proteção da população, especialmente de crianças e adolescentes.
O compromisso do Freemind
O Freemind segue alinhado a esse princípio:
👉 Informar para proteger.
Trazer o debate científico, sem romantizações nem simplificações, é essencial para construir políticas eficazes de prevenção, tratamento e reinserção social.
Como sempre reforçado pelo Dr. Ronaldo em suas participações nos Congressos Freemind, não basta boas intenções — é preciso ciência, responsabilidade e visão de longo prazo.
📌 O artigo original de Dr. Ronaldo Laranjeira foi publicado na Folha de S.Paulo em 19/02/2026.
(*) Acesse também o artigo publicado na respeitada revista médica The Lancet, sobre A eficácia e a segurança dos canabinoides no tratamento de transtornos mentais e transtornos por uso de substâncias: uma revisão sistemática e meta-análise:
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