A reinserção social do dependente químico é um passo muito importante no processo terapêutico, focado em ajudá-lo a reconstruir sua vida, seu lar, seu trabalho, e resgatando sua autoestima e autonomia. A reinserção é também conhecida como “o direito de recomeçar”, e é preconizada no Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas, por meio da Lei 11.343.
O PAINEL “REINSERÇÃO SOCIAL E ESTIGMA”:
O painel “Reinserção Social e Estigma”, no 10º Congresso Internacional Freemind 2025, reuniu especialistas para debater os desafios deste processo, trazendo dados científicos e também a experiência clínica e internacional.
O Estudo de Monitoramento das Comunidades Terapêuticas, realizado em São Paulo, revelou que os índices de reinserção após o desligamento são baixos. Apenas 28% conseguiram o autossustento, 54,7% conquistaram a moradia, e 21,4% conseguiram ambos após sair da Comunidade Terapêutica.
“O que o estudo trouxe, e que é bem relevante, é que quanto maior o tempo em que ele fica na Comunidade Terapêutica, maior a chance dele se inserir novamente na saída. O quanto? A gente tem um dado preciso, a partir de 15 dias é que começa a aumentar de fato as chances deles reinserirem. A partir de 30 dias essa chance triplica”, explica a Dra. Clarice Madruga, membro do comitê gestor da Unidade de Pesquisa em Álcool e outras Drogas (UNIAD) na UNIFESP. “E não basta o tempo. O que é ofertado nesse período em que ele está acolhido é fundamental. Quanto mais ampla a oferta de atividades, e não estou falando em quantidade de atividades, mas o quão amplo é esse cardápio de atividades. Diversidade de atividades ofertadas”.
“Se nós olharmos as políticas públicas sem preconceito, nós entendemos que nós temos que abrir espaços para eles de acordo com a demanda que eles têm. Nós alimentávamos a Cracolândia com os egressos dos sistemas que a gente trabalha, sistema de saúde, sistema penitenciário, sistema social. Por que? Porque nós não estávamos olhando a necessidade daquela política pública naquele recorte”, aponta Gleuda Apolinario, socióloga com atuação na área de políticas sobre drogas e que já trabalhou com projetos voltados para a região da Cracolândia, em São Paulo. “O que significa essa reinserção? Dar uma casa e um emprego não significa que a pessoa está reinserida, eu preciso ressignificar a vida dele, tem que fazer sentido pra eles, dentro de uma referência de vida que eles gostariam de ter”, conclui.
O painel “Reinserção Social e Estigma” foi transmitido ao vivo, e está disponível em https://www.youtube.com/watch?v=nrRAHXWMtfQ.
