A cada dez minutos, um adolescente comete algum tipo de autolesão ou tenta tirar a sua própria vida no Brasil. É o que revela a pesquisa da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), publicada em setembro de 2025. E, de acordo com ela, cerca de mil adolescentes morrem, por ano, por suicídio. Enquanto mundialmente as taxas de suicídio caíram entre 2000 e 2020, no Brasil elas aumentaram cerca de 40% no mesmo período, um grave problema de saúde pública.
Entender o que leva os jovens brasileiros a tamanho sofrimento psíquico foi tema de debate entre especialistas, no painel “Suicídio” do 10º Congresso Internacional Freemind 2025, realizado em Brasília entre os dias 16 e 19 de novembro de 2025.
“Por que o jovem entra nesse desespero existencial, a ponto de não querer mais viver? Ele vive uma desordem afetiva que é natural da sua formação. Ele tem que chorar sozinho agora, porque ele acha que se chorar perto da mãe ele está sendo criança, e ele quer ser um adulto”, afirma a Dra. Rosana D’Orio Bohrer, Psicóloga Clínica, especializada em Luto, Separações, Perdas e Suicídio.
Carlos Costa, Psicólogo Clínico especializado em Neuropsicologia, por sua vez, falou sobre o transtorno bipolar. “Na maioria das vezes, a pessoa com transtorno bipolar vai ter uma ideação suicida no período depressivo. Não é sempre, mas quase sempre. E a depressão na bipolaridade é mista, ele apresenta alta agitação e alta energia. E essa energia é suficiente para exercer a tentativa de suicídio”.
Por fim, o professor Dr. Gilson Pinheiro apontou para a relação entre ideação suicida em jovens que sofreram bullying ou cyberbullying, violência sexual, e também violência intrafamiliar, ou seja, violências físicas ou psicológicas que levaram a sintomas de ansiedade e depressão.
O painel Suicídio foi transmitido ao vivo, e pode ser assistido em https://www.youtube.com/watch?v=Jb_PEbsv-8M.
