Guia de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas, lançado pelo Ministério da Saúde reforça a importância da informação, da prevenção, do tratamento e da reinserção social no enfrentamento aos riscos das apostas online.
O crescimento acelerado das apostas online no Brasil acendeu um alerta que não pode mais ser ignorado. O que para muitos começa como entretenimento rapidamente pode se transformar em sofrimento psíquico, endividamento, conflitos familiares e isolamento social. Diante desse cenário, informação qualificada e cuidado estruturado tornam-se ferramentas essenciais de proteção — para indivíduos, famílias e comunidades.
Atento a essa realidade, o Ministério da Saúde lançou o Guia de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados aJogos de Apostas, um documento orientativo que reconhece o transtorno do jogo como um fenômeno complexo, com impactos diretos na saúde mental e na vida social. O material oferece diretrizes práticas para acolhimento, acompanhamento e cuidado integral de pessoas com problemas relacionados às apostas, especialmente no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e da Rede de Atenção Psicossocial (Raps).
O lançamento do Guia dialoga diretamente com os debates promovidos no 10º Congresso Internacional Freemind, que trouxe à tona, de forma contundente, os efeitos das apostas online sobre o tecido social. Ao longo do Congresso, especialistas nacionais e internacionais reforçaram uma ideia central: informação é proteção, desde que seja acessível, baseada em evidências e articulada com ações concretas de prevenção, tratamento e reinserção social.
Um fenômeno em expansão e seus impactos
Dados apresentados no Guia de Cuidados para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas revelam a dimensão do problema. Estima-se que 25,9% dos brasileiros já tenham participado de jogos de apostas, e cerca de 4,4% apresentam alto risco para o desenvolvimento de problemas relacionados ao jogo. A expansão das apostas online foi impulsionada por mudanças regulatórias recentes (2018 e 2023), forte publicidade digital e fácil acesso por dispositivos móveis — fatores que ampliam a vulnerabilidade, especialmente entre jovens e pessoas em sofrimento emocional.
A Organização Mundial da Saúde reconhece que problemas relacionados ao jogo estão associados a ansiedade, depressão, estresse crônico e maior risco de suicídio. Estudos indicam que aproximadamente 75% das pessoas com transtorno do jogo apresentam outros transtornos mentais associados, além de impactos financeiros severos e rupturas familiares.
O cuidado como resposta ética e humanizada
O Guia do Ministério da Saúde propõe uma abordagem clara: o cuidado deve ser integral, contínuo e livre de estigmas. Não se trata apenas de interromper o comportamento de apostar, mas de compreender o contexto de vida, as vulnerabilidades sociais, emocionais e econômicas que atravessam cada história.
Nesse sentido, o documento orienta profissionais e gestores a atuarem desde a atenção primária à saúde, porta de entrada preferencial do SUS, até serviços especializados como os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), Unidades de Acolhimento, leitos de saúde mental em hospitais gerais e Centros de Convivência. O foco está na territorialidade, na intersetorialidade e na corresponsabilização entre equipes, usuários e suas redes de apoio.
Um ponto central do Guia é o fortalecimento do acolhimento como prática contínua — e não como um ato pontual. A escuta qualificada, o vínculo e o respeito à autonomia são fundamentais para evitar o agravamento do sofrimento e o abandono do cuidado. Relatos de usuários mostram que a ausência de acolhimento adequado pode levar ao desespero, à desistência do tratamento e à piora dos quadros.
Redução de danos e Projeto Terapêutico Singular
O documento também reforça a redução de danos como estratégia legítima e baseada em evidências. Em vez de impor abstinência imediata, propõe ações educativas, orientação financeira, fortalecimento do autocuidado e construção gradual de mudanças possíveis e sustentáveis.
Nesse processo, o Projeto Terapêutico Singular (PTS) é apresentado como ferramenta central. Construído de forma participativa, interdisciplinar e flexível, o PTS organiza o cuidado conforme as necessidades reais da pessoa, articulando saúde, assistência social, educação, trabalho e reinserção comunitária.
O papel do Freemind: informar, cuidar e transformar
Ao compartilhar este Guia, o Freemind reafirma sua missão de integrar ciência, políticas públicas, cuidado humano e mobilização social. Acreditamos que enfrentar os riscos das apostas online exige mais do que alarmismo: exige informação responsável, redes de apoio fortalecidas e caminhos reais de cuidado e reinserção social.
👉Faça aqui o download gratuito do Guia do Ministério da Saúde e acesse um material fundamental para profissionais, famílias e pessoas que buscam ajuda.
Guia de Cuidado Para Pessoas com Problemas com Jogos de Apostas
Informar é proteger.
Cuidar é transformar.
