Maconha: achei um pacotinho no quarto do meu filho. E agora?

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Uso de drogas na adolescência: um problema que cresce em silêncio

No Brasil, a maconha é a substância ilícita mais utilizada por adolescentes. Das substâncias psicoativas, o álcool continua liderando, seguido pelo tabaco, e a maconha, com 8,1% de adolescentes que a experimentaram, e 3,2% tendo usado nos últimos 30 dias.

“É muita gente, se a gente pensar que é uma fase da vida em que não se deveria ter usado álcool, tabaco, maconha ou outras drogas”, alerta Andrea Gallassi, professora associada da Universidade de Brasília e coordenadora do Centro de Referência sobre Drogas e Vulnerabilidades Associadas, em sua fala no painel “Maconha”, no 10º Congresso Internacional Freemind.

Três caminhos para agir antes que o problema se agrave

Galassi aponta que a prevenção deve ser caracterizada em três níveis: Universal, direcionada a todos os adolescentes; Seletiva, focada nos grupos com maior vulnerabilidade, como aqueles com histórico familiar ou questões de comportamento; e Indicada, para aqueles que já iniciaram o uso, mas que não desenvolveram dependência, a fim de retardar a progressão ou cessar o consumo.

Quando o uso afeta o aprendizado e o futuro

O Dr. João Paulo Becker Lotufo, Doutor em Pediatria pela Universidade de São Paulo, e representante da Sociedade Brasileira de Pediatria nas ações de combate ao álcool, tabaco e drogas, alertou para os prejuízos na vida escolar e acadêmica desses jovens. Dados estatísticos apontam que a taxa de abandono escolar entre aqueles que fizeram uso com grande regularidade chega a em 81,8%, e que apenas 11,8% chegaram à faculdade, contra 39,4% daqueles que nunca a utilizaram. “Maconha lesa a memória, diminui o aprendizado, e é o que a gente vê nas escolas hoje”.

Lotufo defende um modelo de aconselhamento breve. “Eu não estou fazendo uma palestra na escola, eu estou fazendo uma série de intervenções na escola, durante o ano”. Os resultados apontados, após seis meses, são de que 19% reduziram o tabagismo, 67% diminuíram o consumo de álcool, e 50% diminuíram o uso de drogas ilegais.

Fortalecer a rede familiar para proteger o jovem

Por fim, Nelcy Colares, psicanalista, psicólogo clínico e de saúde, e Coordenador no Estado do Pará da Federação Brasileira de Comunidades Terapêuticas, trouxe para o debate algumas condutas típicas dos pais, como a negação ou o superdimensionamento, sem que se conheça a extensão real do problema, e a necessidade de se compreender o círculo de convivência do jovem, o que ele busca e encontra naquele círculo, para, com a ajuda de um profissional adequado, ajustar a dinâmica familiar e fortalecer a rede de suporte intrafamiliar.

O painel “Maconha” foi transmitido ao vivo, e pode ser assistido em https://www.youtube.com/watch?v=UcY6yVbptG4.