Álcool na adolescência e os riscos dentro de casa

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O consumo de álcool entre adolescentes no Brasil

Álcool na adolescência um problema que precisa de enfrentamento urgente  – A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) do IBGE revela que 63% dos estudantes entre 13 e 17 anos já experimentaram bebida alcoólica. Fatores como desestruturação familiar, busca por apoio em grupos de usuários, falta de acompanhamento e a vulnerabilidade social e econômica são apontados como fatores contribuintes, além da grande disponibilidade e facilidade de acesso.

A questão do acesso ao álcool na adolescência foi comentada pela Dra. Juliana Valente, Professora da UNIFESP e Doutora em Saúde Coletiva, que aponta, em sua fala no painel “Álcool”, do 10º Congresso Internacional Freemind, que os principais fatores de risco podem estar dentro dos próprios lares, como o consumo parental e a oferta de bebidas alcoólicas pelos próprios pais.

 

Falhas na legislação e a necessidade de medidas mais eficazes

“Um em cada cinco adolescentes bebeu no último ano. 75% deles nunca enfrentaram restrições para comprar bebida. Mas a gente tem legislação para isso, né? No Brasil é proibida a venda para menores de idade. Esse dado mostra que uma das políticas que a gente tem em vigor não está funcionando a contento, e existem outras que sequer foram implementadas”, aponta a Coordenadora do projeto Álcool da ACT Promoção da Saúde, Dra. Laura Cury. “Aumentar preços e impostos é a primeira medida mais efetiva. Se a gente aumentar mais um real no preço da lata, podemos salvar mais de 10 mil vidas por ano”.

Publicidade de bebidas alcoólicas: um desafio urgente

Restringir a publicidade é outro desafio. A atual lei em vigor, de 1996, só considera restringir bebidas alcoólicas com teor maior ou igual a 13%, o que permite a livre publicidade de cervejas e outros produtos, a qualquer hora do dia. Essas empresas também estão livres para patrocinar influenciadores digitais e estampar suas marcas em eventos esportivos.

Por fim, também é preciso reduzir a disponibilidade, fiscalizando pontos de venda, aplicativos de entrega, ambulantes, e restringindo horários e dias de venda, e proibindo a venda no entorno de escolas, para que a exposição de menores de idade possa ser reduzida.

“Intervenções isoladas não são tão efetivas quando comparadas às intervenções que reúnem diversas dimensões. A proposta das intervenções comunitárias é de buscar criar ambientes saudáveis para os adolescentes”, explica a Dra. Zila Sanchez, chefe do Departamento de Medicina Preventiva da Escola Paulista de Medicina/UNIFESP. “A ideia não é mudar apenas o indivíduo, mas mudar o comportamento dos pais dos adolescentes, e também que a comunidade entenda o poder danoso do álcool nos adolescentes”.