O consumo de drogas lícitas e Ilícitas é um dos dez motivos principais de incapacitação de jovens trabalhadores. Segundo dados de 2024, publicados pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), o consumo de álcool e drogas foi o quarto principal motivo – em número de casos – de afastamento do ambiente de trabalho por saúde mental, termo que inclui transtornos como a depressão e também os quadros de dependência química. A dependência do álcool foi responsável por mais de 11 mil afastamentos, o uso problemático da cocaína por outros quase 9 mil, e a dependência de mais de uma droga de forma concomitante, por sua vez, responde por mais de 21 mil concessões de auxílio por incapacidade temporária.
O cenário é cada vez mais preocupante dado o avanço crescente no uso problemático de substâncias, e exige das empresas ações de prevenção para a saúde mental. Em relação ao uso de álcool, se antes os problemas com absenteísmos (faltas não planejadas) e presenteísmo (comparecer fisicamente ao trabalho, mas estar com o desempenho prejudicado por outras razões) ocorriam mais comumente às segundas feiras, hoje também são notáveis às quintas feiras, após os jogos de futebol transmitidos às quartas, como revela Selene Barreto, psicóloga clínica e ex presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (ABEAD), durante o painel “Drogas no Ambiente de Trabalho”, do 10º Congresso Internacional Freemind 2025.
Já Thiago Itida, especialista em dependência química e em psicologia positiva e bem-estar, defende que o gasto com prevenção de uso de drogas no ambiente corporativo pode retornar até quatro vezes mais às empresas, por meio de ações continuadas de comunicação e sensibilização do trabalhador e sua família, rastreio do uso, apoio ao tratamento e ao pós tratamento.
Roberto Canay, ex subsecretário de Prevenção e Tratamento da Secretaria de Políticas Integrais sobre Drogas (SEDRONAR) na Argentina, apresentou a experiência do país vizinho para a aplicação eficaz de políticas abrangentes, e Douglas Manassés, Superintendente Terapêutico da Subsecretaria de Políticas Inclusivas da Casa Civil do Estado do Rio de Janeiro, concluiu o painel comentando sobre a necessidade de acolhimento e de programas institucionais de reintegração e de redução do estigma, como o realizado pela Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro (COMLURB).
A íntegra do painel contou com transmissão ao vivo pelo youtube: https://www.youtube.com/watch?v=InwAzm-tQrg
