Vício Digital
O aumento do tempo de tela entre crianças e adolescentes
Segundo dados da ONU, o Brasil está entre os países com maior uso de internet por crianças e adolescentes, e o tempo de tela vem indicando que o uso recreativo vai se transformando, cada vez mais, em formas de vício (ou seja, o tipo de uso sobre o qual já não se consegue mais estabelecer controle ou limite), ou até de dependência (quando há sintomas físicos e emocionais), que poderão estar combinados com outros transtornos, como o obsessivo-compulsivo (TOC), o déficit de atenção, distúrbios do sono, obesidade, problemas com a auto estima e vícios comportamentais semelhantes aos experimentados por dependentes de drogas.
Impactos no cérebro e no desenvolvimento
Segundo os especialistas presentes ao painel “Vícios Digitais”, do 10º Congresso Internacional Freemind, crianças expostas às telas podem sofrer impactos neurobiológicos importantes, além de prejuízos ao desenvolvimento de áreas como a criatividade e controle da impulsividade, em um cérebro que ainda não está totalmente formado.
“As brincadeiras lúdicas que a gente tinha antigamente, com contato físico, estimulam a criatividade, a coordenação motora, a percepção de estímulos do ambiente. Havia também o ócio, que ativa importantes áreas do nosso cérebro e permite desenvolver a saúde emocional”, alerta a Dra. Julia Khoury, psiquiatra e membro titular da Associação Brasileira de Psiquiatria. “Quando a gente está em ócio, o que a gente faz? Pega o celular e inunda o cérebro com estímulos. A gente não está se permitindo entrar em ócio verdadeiro, que é saudável para adultos e crianças”, alerta Khoury.
Restrições nas escolas: avanços e limites
Atualmente, muitos países vêm impondo restrições ao uso de celulares no ambiente escolar, com alguns resultados positivos observáveis. No entanto, dados do PISA, de 2022, apontaram queda de performance em países que implantaram restrição total que podem indicar uma relação de causa e efeito.
Segundo o Dr. Leonardo Carriço, colaborador do PROAMITI – Instituto de Psiquiatria da USP, há desafios claros que exigem o aperfeiçoamento das políticas públicas, o maior diálogo intersetorial, aplicação de normas de uso consciente, criação de ambientes estimulantes que não dependam do uso de smartphones, um currículo de educação digital eficiente e o envolvimento das famílias no processo, para que o equilíbrio no uso dos smartphones (vicio digital) também ocorra em casa.
